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  • Revista Alagoana

Do interior de Alagoas para a Suíça: a trajetória de um estudante artístico


Colaboração de Theo Sales


Apaixonado pela dança desde criança, Pedro Walisson trilhou um caminho de muitos obstáculos e teve de superar preconceitos para seguir seu sonho de artista. “Os movimentos acompanhando os instrumentos me encantaram desde pequeno”, afirma. Natural de Murici, interior de Alagoas, o jovem dançarino de apenas 21 anos se prepara agora para conquistar novos palcos na Suíça.


Com apenas 9 anos de idade, Pedro se mudou com sua família para a capital Maceió, onde passou a morar no bairro do Jacintinho, nas Piabas. Na escola que estudou, ele teve a oportunidade de desenvolver seus dotes artísticos, principalmente devido ao apoio de sua diretora, Lidiana. Foi na Escola Miran Marroquim que Pedro teve sua primeira chance de expor sua dança através de um show de talentos.


A partir daí, o alagoano continuou a se dedicar à sua paixão e conseguiu uma bolsa para fazer parte da Academia Jeane Rocha de Dança. Apesar das dificuldades, como a locomoção até a academia e as pressões de ser um aluno bolsista, Pedro permaneceu resiliente. “Pensei diversas vezes em desistir, mas o que me manteve firme foi a minha fé e persistência, pois eu já estava vivenciando o início do meu maior sonho”, relata.


Ele ainda conta como sua experiência de dançar em um espetáculo pela primeira vez foi sua chance de expressar todo o sacrifício que teve para conseguir chegar no palco. Sua dedicação não foi em vão: em seu primeiro espetáculo, Pedro foi premiado como bailarino destaque da noite.


“Foram processos de muita adaptação, mudanças e de grandes construções. Passei por vários momentos de opressão, humilhação, preconceito, onde um moleque sonhador, negro e gay não teria capacidade de conquistar seu espaço no mundo como bailarino. Ouvi de familiares que a dança não me daria futuro. Mas, mesmo sendo criticado, não parei de lutar”, expõe o bailarino.




Para Pedro, a escola sempre foi sua segunda casa. Nela, ele pôde desenvolver sua arte e apoiar outros alunos que tinham a mesma paixão. Ele fundou um grupo de dança chamado Alpha. “Eu me via como um representante de várias crianças com os mesmos sonhos e objetivos que eu, o que me fez sentir no dever de conquistar o meu espaço como artista e morador de uma comunidade carente”. Dos 10 alunos que participavam do grupo, 3 eram meninos. Ele conta como conseguiram quebrar o tabu de que homens não fazem ballet. A equipe se apresentou em diversas escolas e incentivou mais alunos a formarem grupos de dança.


Com muito empenho e dedicação, o grupo obteve reconhecimento e apoio dos educadores e surgiu a oportunidade de criarem um espetáculo: “Vidas Secas: uma força que nunca seca”. Inspirado na obra de Graciliano Ramos, “contava a história da nossa resistência, do quão forte nós somos diante de tanta miséria”. A apresentação ocorreu no Encontro Estudantil de Dança de Alagoas, no qual conquistaram o título de 1° lugar na categoria Dança. “Ficamos com a responsabilidade de mostrar a outros alunos que a arte é viva e que podemos mudar a história da nossa escola, bairro e quem não sabe o Brasil!”.



Recentemente, ele foi contemplado com uma bolsa para estudar por três meses em uma academia na Suíça. Esse intercâmbio deveria ter acontecido em 2021, mas foi adiado para 2022 devido à pandemia. “Ao contrário do que falavam, a dança me deu um futuro e me deu a oportunidade de ir para outro país para fazer o que amo. Apesar de todas as dificuldades e críticas, eu segui a minha paixão e hoje já vejo resultados”, afirma. Da fanfarra de Murici, passando pelo show de talentos da escola, para a Suíça.


Pedro agora está com uma campanha para arrecadar fundos para passagens, hospedagem e alimentação para se manter na Suíça durante o período do intercâmbio. Mais informações sobre como ajudar Pedro estão disponíveis em seu instagram: @07pedro.w.

“Através da dança consigo expressar as minhas emoções, então permitam que eu dance. Minha arte merece ser vista”.



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