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  • Revista Alagoana

Janelas ou destroços a quatro mãos, com Ana Maria Vasconcelos




Texto de Nathália Bezerra






Nathália - Te escrevo nessa manhã nublada de domingo e te digo de uma das coisas que tem me ocupado nos últimos meses: como é difícil encontrar lugar e fazer casa da gente, dos outros, do mundo. e que ao longo da vida a gente encontra (e desencontra) várias casas físicas e não físicas: inventamos jeitos de pertencer? também enquanto te escrevia lembrei de um poema da mar becker, publicado no instagram dela, que é parte da seção de encerramento de sal e diz: “que seja casa, o amor / ainda que desabrigue” fazer do amor, casa é morar, onde antes não havia? de muitas coisas se faz uma morada. dentre elas, o que te faz sentir em casa?



Ana - A sintonia é uma coisa muito engraçada, né? eu leio essa sua pergunta já na tarde desse mesmo domingo - agora inexplicavelmente ensolarado - enquanto procuro apartamento para alugar em outra cidade. uma cidade que já me abrigou, onde sempre me senti em casa e para a qual retorno agora depois de uns anos longe: Aracaju. engraçado, eu morei por dez anos no rio de janeiro e nunca, nem por um minuto, me senti em casa naquele lugar. mesmo em Maceió, lugar onde nasci, não sei se me sinto em casa exatamente. agora a sua pergunta me faz pensar nos motivos disso.


também não moro em Maceió agora, ou pelo menos por enquanto. te escrevo do outro lado do estado, num cantinho do sertão, e muito tenho me ocupado do sentir-se em casa. como tu acha que o movimento/trânsito entre as cidades, entre as mudanças e, dessa vez: da volta ou do regresso à Aracaju tem algum efeito na tua escrita? tem alguma temática ou assunto que sempre retorna aos teus textos?


- Eu acho que esses momentos de transição são os que mais me tiram da escrita. (agora mesmo estou passando por um desses hiatos. estou sem conseguir escrever nada desde o mês passado, e eu vinha de um fluxo intenso de escrita constante há meses). talvez porque eu precise de um mínimo de rotina para criar (e rotina tem tudo a ver com casa, com sentir-se em casa, né?). então não sei ainda quais temas vão me tomar quando eu conseguir voltar ao ritual de sentar diariamente para escrever de novo… mas acho que a cidade em si não aparece muito nos meus textos, pelo menos não diretamente. o ambiente, sim, mas não a cidade, essa entidade demarcada. o ambiente imediato, o que toca os meus olhos, o que da cidade se torna íntimo, isso sim fabrica alguma parte do que escrevo. até porque, de certa forma, o que escoa nos textos da gente é aquilo que a gente está transbordando naquele momento, né? as pessoas, as leituras… os espaços.


o hiato da escrita te angustia?


- Já me causou muito desespero porque eu cheguei a achar que tinha perdido a coisa, que nunca mais ia escrever e tal. mas é como se apaixonar, né? o coração sempre se apaixona de novo. a vida é muito grande hahah. então hoje não me angustia mais não, eu entendo que seguir o fluxo dos acontecimentos é mais inteligente do que lutar contra os imprevistos. uma hora as coisas se acertam de novo e o ritmo da escrita volta - e com novidades, o que é muito interessante também.


(penso que talvez seja necessário, o hiato. um espaço que não se crie, ou de sustentar a ideia de um vazio ou da ausência de escrita. digo isso porque temos outra particularidade acontecendo agora: ando há uns dias sem aquela escrita frenética, cotidiana, quase um exercício meio bruto e necessário, como acontecia nos últimos meses. isso me leva a outras perguntas - e não sei porque fiz um parênteses tão gigante):


- (será que é porque ficamos órfãs das aulas da ana estaregui? saudade das quintas-feiras! me impulsionavam muito!) (sinto muita falta das quintas com o grupo, tô rindo em ter me dado conta que realmente, parou o grupo eu também parei) (menina, como a gente precisa de estímulo externo, né? eu penso que talvez seja porque o trabalho do escritor é solitário demais… aí a comunidade, o grupo faz essa diferença toda para nós.)


tu falou na escrita como um ritual cotidiano, o ato de sentar-se pra escrever. como tu ritualiza esse movimento, da busca da palavra?


- Ah, não tem muito mistério, no geral é sentar no computador, buscar algum fio, alguma referência, algum disparador de ideia e rodar um pouco nessa ideia com a escrita. alguns temas persistem, né. por exemplo, eu fiquei algumas semanas com uns versos da fiama hasse pais brandão na cabeça, sempre que sentava para escrever eu fazia algo a partir deles. agora dizendo isso a você senti falta de ler a fiama todo dia, vou voltar.


eu não a conheço, a fiama. vou procurá-la agora! mas tu me deixou curiosa pelo verso que tem te ficado na cabeça, me conta?


- Ah, tem o mais famoso, que é o “água significa ave”, primeiro verso do “grafia 1”, poema que abre o seu primeiro livro, “morfismos”. é um impacto, uma força sem tamanho. esse poema todo é um assombro. mas os versos que ficaram me incomodando um tempo foram os do “tema 4”, outro poema dela. (te mandei no whatsapp)


te lendo, me lembrei que há uns dias me martela na cabeça a ideia da escrita ser muito mais próxima de um ato de abandono do que de encontro. abandono do que não se consegue dizer, das palavras que não foram escolhidas. ao mesmo tempo em que outras coisas e outras imagens são desabandonadas, de certa forma. se algo sobre isso te aparecer nesses dias, me diz?


- (eu amei isso!!!) engraçado pensar que a escrita se faz com todos esses destroços que não aparecem. eu com certeza vou ficar com essa imagem na cabeça nesses próximos dias.


isso, do abandono, me lembrou uma frase da clarice em sopro de vida que eu anoto em vários lugares: “a arte de abandonar não é ensinada a ninguém”. talvez tenha vindo daí o devaneio de pensar a escrita como esse abandono meio absurdo e contínuo, do qual não se aprende. e talvez parte disso seja, sobretudo, lidar também com os resquícios do que não se consegue escrever (do que não se consegue esquecer, também) - ainda não tenho uma pergunta sobre isso, fiquei com a imagem que tu deixou da escrita feita pelos destroços que não aparecem


- (queria ter algo de peculiar pra contar da viagem de ontem, mas é verdade é que foi simplesmente corre atrás de corre, pouca resolução e muito cansaço. ainda desabrigada em Aracaju ahahah! mas feliz! agora pensando nesses destroços invisíveis… pensando que escolher uma casa é dizer não para outras tantas também, como eu fiz ontem… saber o que a gente quer começa por saber o que a gente não quer, né? e a coisa vai tomando forma daí. a palavra no poema é uma eleição.)


gosto de pensar que ao longo da vida a gente encontra casa em tanto canto e tanta gente, né? e como a gente perde outras casas também. penso que ando monotemática desde que vim pra cá porque quase tudo tem sido pra pensar deslocamentos, ainda que se carregar de corpo inteiro pra outro lugar não seja só geografia. (dizem que a gente se carrega por onde anda, que ainda não se inventou jeito de ir sem se deixar). o que é que tu deixa aqui antes de ir?


- Eu penso que é uma questão de ampliar os espaços mais do que de deixar algo para trás. talvez porque Aracaju é tão pertinho. mas na minha cabeça ressoa mais essa ampliação, nossa, agora vou transitar por duas cidades… vejo como um aumento de movimento. hehe. mas eu deixo aqui meus cachorros, que são essencialmente o meu lar, além da minha família.


me ocorreu agora enquanto te escrevia: o hiato, da escrita, é quase um luto?


- Um luto de si mesma, sim, até porque esses momentos em que a criação (pelo menos essa, da palavra) não acontece mostram que talvez algo esteja morrendo. é preciso estar transbordando para criar.


acho tão bonita essa ideia de, em uma coisa só, coexistir a escolha e a não escolha, a desistência e a insistência. dizer não também é escolha, dizer sim também é negação. acho que escrever tem algo disso e tanto, tanto, que coexiste vida e morte. nessas alturas perdi as contas de quantas vezes achei que fosse morrer (o desejo) da palavra pra depois vê-lo ainda vivo, encolhido num canto. tenho há alguns dias a imagem de um sonho: mãos miúdas guardando uma pedra. cada pedra uma palavra, uma letra. um símbolo sem formato. toda vez eu acordo sem saber qual era o segredo. me conta um sonho teu?


- (ai, essa ideia em torno do sim e do não de alguma forma me lembra o poema da marília garcia em que ela diz que “fechar” em português também pode significar “abrir”, que fechar um negócio é chegar a um acordo etc.) menina, eu sonho muito, né? todo dia tenho uma história maluca nova para contar. mas um me marcou, eu sonhei - isso já faz uns dez anos - que os pombos eram a matemática. não me peça para explicar! hahaha. eu sempre achei que ia sair um texto disso, mas não. era assim: uma revoada de pombos numa praça e a minha mente concluía: “os pombos são a matemática”. também não sei qual era o segredo.


como comecei dizendo de encontrar lugar e fazer casa, que espaço a escrita te ocupa?


- Eu sempre digo que escrever é meu modo de estar no mundo, mesmo. é um jeito de existir, de estar viva. fazer alguma coisa com as mãos e as horas. não sei se consigo dizer isso com exatidão sem ser piegas, mas é essa coisa larga e funda aí, mesmo! hahaha.


te contando um segredo: também sinto a escrita como jeito de me arranjar no mundo, de encontrar modos de sobrevivência. é como se fosse uma forma da vida insistir. e quando acontecem momentos de não-escrita, como tu lida?


- Essa ideia de que a escrita é “uma forma da vida insistir” é muito linda. é isso. bom, além de tudo, é a minha profissão, já que eu dou aulas de literatura. quando eu não estou criando - como agora, como eu disse -, ainda estou juntinho da literatura por conta da pesquisa e das aulas. nunca estou totalmente longe, ela sempre está me alimentando. aí encaro esses momentos de pausa como naturais, como uma forma de recarregar, também. porque existe o perigo de tudo ficar muito automático se a gente não dá esses respiros, e aí não faz o menor sentido, né, se a gente parte do princípio que a literatura é a desautomatização da palavra.


viver arrodeada e respirando palavra, ainda que não diretamente pelo ato da escrita, é algo que também tem me sido fôlego. é doido e às vezes doído como a literatura futuca a vida da gente, né? quando eu me dei conta, também já não havia jeito de fugir. acho que é dessas paixões que só acontecem raras vezes na vida (ainda bem). nas tuas andanças juntinha da literatura, me conta um pouco da tua pesquisa e desse teu percurso?


- Descobri recentemente que o meu percurso na literatura começou quando eu tinha uns sete anos! hahaha! isso porque minha mãe achou uns mini livrinhos que eu confeccionei mais ou menos com essa idade, cada um em homenagem a um cachorro. a coisa mais linda! eles são de papel colorido - vermelhos, azuis, cor-de-rosa - e eu escrevi com canetas brilhantes, uma coisa fina, menina! quando eu vi me diverti muito e me emocionei um cadinho também. quer dizer que esse desejo estava de alguma forma comigo praticamente desde que aprendi a escrever.


Bom, mas então eu cresci um pouco e fui fazer letras. sempre quis pesquisar a obra da Clarice, mas acabou que eu fui parar em literatura portuguesa por alguns anos. no doutorado eu consegui voltar para ela e aqui estou (lutando)! agora estou pensando um pouco as imagens impossíveis que ela dá a ver com a sombra da palavra lá em água viva. e também um pouco como ela trabalha a noção de êxtase.


é muito lindo isso que tu falou da literatura como desautomatização da palavra. acho que talvez seja jeito de desautomatizar a vida, também. (vou fazer uma pergunta, só ainda não sei qual. ao longo do dia apareço aqui e te escrevo)


- Sim, é o que eu sempre falo pros alunos, que desautomatizar a palavra é desautomatizar o pensamento. a literatura (a arte em geral) é uma forma de a gente viver mais, viver melhor, viver muito. “a vida é grande”, eu li esses dias, numa foto de uma escritora que eu adoro. é isso.


estou particularmente fascinada como parece que vai se criando um diário e as conversas e os assuntos parecem que ganham uma vida própria, algo fora da gente. esse fascínio e quando tu falou de teu começo na literatura com os cadernos de papel colorido me fez lembrar que eu tinha um caderno amarelo, de folhinhas coloridas e um cadeado bem pequeno. me lembro que gostava da sensação de escrever como se fosse quase-sempre um segredo guardado e acho que talvez esse costume me fez ter demorado (bastante) tempo pra ter coragem de mostrar o que escrevia pra alguém.

no fundo, acho que acredito que tem algo da escrita que ainda é esse pequeno guardado (tem coisa que só a gente sabe). aquela coisa que tu falou um pouco mais acima que já pensou por diversas vezes ter perdido e continua ali, latejando de tempos em tempos. como foi pra tu esse processo, tanto o de reconhecimento da tua escrita, como escritora, quanto do processo de mostrar teus escritos para outras pessoas? como tu se arruma com teus pequenos segredos pela escrita?


- Ah, foi um processo, viu? eu, como talvez a maioria de nós quando começa a escrever algo, tinha muuuita vergonha. mostrei primeiro a dois professores, e ambos me incentivaram bastante. mas isso já com uns quinze anos, depois de jogar muita coisa no lixo. para os amigos nunca mostrei, mas nesse caso menos por vergonha do que por achar que não seria do interesse de ninguém. mesmo hoje eu nunca peço leitura a nenhum amigo, acho meio invasivo, incômodo, não me sinto bem. eu publico nas redes e espero o retorno de quem se interessar. acho mais genuíno assim. quando eu era adolescente tinha uma dinâmica parecida, eu publicava no blog (era 2003, tá, gente?) e a partir dali ia criando conversas com quem escrevia em outros blogs também. era muito bom.


me lembrei de outra coisa. quando menor, costumava inventar história. já hoje me demoro na ideia de conseguir escrever longamente uma história, narrar algo que vá até o final da linha. falando em fora: me lembro de ler e te ouvir em poesia. na prosa, como é pra tu?


- Pois é, alguns amigos me incentivam a tentar escrever contos. eu prometo tentar, mas criação de personagem me interessa muito menos do que brincar com a palavra, com a imagem, com os sons, a sintaxe… a minha pira é muito mais essa, mesmo.


(tô ficando triste que já é sábado. escrever um pouquinho contigo todo dia tem sido um encontro, um tempo que tiro no dia pra ler e reler. muito bonita tua sensibilidade, tuas palavras, as imagens que tu traz)


- (❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️ essa foi uma das experiências mais legais de escrever junto que já tive!)


li a fiama. estou absolutamente com os encantamentos de ler “a anatomia das pontes nos transforma os dedos”. que escrita linda, quantas imagens que ela traz. e imediatamente me lembrei em como na poesia, parece haver uma licença, sem que se peça, de não fazer sentido. ou ainda, de que se crie imagens sem compromisso com uma narrativa. ou com linearidades. é sempre possível romper um abismo, quebrar um texto. não pensei muito sobre, mas tu acha que se fosse possível traçar algum paralelo: personagem, na poesia, é quem escreve?


- Eu acho que a estrela, a personagem principal da poesia é a palavra, as possibilidades da palavra. quem escreve é um disparador, um meio que a palavra encontra para se desdobrar. um texto é bom quando ele se oferece em muitas camadas de sentido (aí não só o texto poético, né, a narrativa também). e eu notei agora que fiquei tão preocupada em responder a tudo o que você me perguntava sem deixar nada de fora que me esqueci do básico de uma conversa: perguntar de volta! você acha que o nosso abrigo é a palavra, mesmo que ela teime em desamparar a gente? será que os destroços invisíveis que circundam o poema pronto são como aquele resto de tijolo e brita do lado de fora de uma construção? você acha doloroso mostrar textos inacabados como a gente faz lá no grupo? ou gosta desse processo de ir costurando com outras vozes? e: como você consegue fazer títulos tão bonitos???


se tem uma coisa que me intriga é que ninguém nasce sabendo falar uma língua: a gente já vem ao mundo em desamparo e muito me encanta os diferentes arranjos que se faz pra sobreviver no meio disso. talvez a escrita seja um dos jeitos de montar um telhado, de criar um chão. a tua pergunta dos destroços invisíveis me pegou de um jeito. talvez, a gente só sinta que um poema tá pronto quando ainda há destroço ali. acho que um poema sem o que ainda resta a ser dito talvez ainda não tenha acabado (ou só começa quando ainda tem pedra pra bater). no exercício de mostrar um texto, eu acho uma dos momentos mais frágeis que se tem. e é de um jeito tão cru, sabe? e acredito que quanto mais cru o texto, quanto mais inacabado, é como se mais a gente tivesse feito fratura exposta, mas nessa hora não dói. acho inclusive que tem sido um exercício bonito e necessário de fazer também com os olhos e com a voz de outra pessoa alguma coisa com aquilo que sobrou da gente. o texto vira uma fratura que vai se costurando com pedacinhos das outras pessoas na gente, e isso é muito forte e muito lindo.

te conto meu segredo dos títulos que por sinal, é meu segredo pra quase todas as coisas que precisam acontecer: ter pouco tempo. é o que possivelmente vai acontecer inclusive com o nome daqui, o nosso. vai nascer feito um lampejo, na hora de enviar. eu não consigo criar título se ficar pensando por dias. é como se o nome do texto precisasse acontecer num instante muito pequeno e muito curto, já quando eu não tenho saída e preciso fazer o esforço de nomear. e isso eu repito em várias coisas da vida, como se fosse uma urgência de viver com pressa, de viver na beira, de precisar criar um lapso e dali surgir alguma coisa. inclusive pensando nisso me veio uma outra pergunta a tu: escrever, tem a ver com criar nomeações? já houve alguma vez que tu precisou criar neologismos ou algum outro formato de escrita por não conseguir nomear algum transbordamento?


- (ameeeiii o segredo dos títulos ser o tempo escasso. hahahah! vou pegar emprestada essa técnica: se encurralar de tal modo que só sobre uma alternativa, simplesmente partir para a ação.) eu acho que fazia mais neologismos quando era adolescente. aí li guimarães rosa e parei! ahahahaha.



(me dei conta de que temos uma mania comum muito engraçada de parênteses faço muito isso quando tô escrevendo algo e mudo de assunto, quando quero fazer só uma observação, quando algo acidental ou intencionalmente quebra o texto. como se fosse sempre um apêndice, uma suspensão. essa coisa meio aérea, meio espaçada entre duas curvas. nessa observação quase inútil que era pra se esconder, mas faz parte do texto, talvez mais parte que o fora). talvez minha última pergunta pra tu aqui seja: como tu usa os teus?


- Menina, é engraçado que eu não notava como o uso dos parênteses era frequente na minha escrita. outras pessoas comentaram comigo e eu fui vendo que uso muito, mesmo. para mim é uma espécie de cochicho no meio do texto, uma alternância de voz para uma mais baixinha, mais íntima, mais secreta. algumas vezes eu uso como uma explicação-que-não-explica também. uma abertura de sentido nessa concha do texto.


ana, te agradeço pelo tempo e pela vida em dividir essa semana escrevendo aqui comigo. antes da gente ir, deixa aqui onde podemos encontrar mais do teu trabalho!


- Bom, eu to no instagram esse ano eu lancei meu livro, 'Eram brutos os barcos', pela trajes lunares, editora independente daqui de alagoas. o livro pode ser comprado comigo ou no site da editora. Também pode ser encontrado à venda no Centro Cultural Arte Pajuçara e na livraria Novo Jardim (presencialmente ou pelo instagram).



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