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  • Revista Alagoana

Mãe da Favela



Roseane Santos é mãe de três filhos, tem uma neta, em 1983 aos sete anos de idade iniciou através da música suas primeiras experiências cantando e dançando na gira de Candomblé. Dez anos depois, ela cantou na igreja Assembleia de Deus. Entre idas e vindas na música, passando por muitos caminhos diferentes, em 2018 ela se encontrou finalmente como Mc Roseane Santos, quando começou a compor, cantar e produzir clipes das suas próprias músicas, explorando os ritmos de funk, rap, swing e brega funk. A Mc acolheu os ritmos da comunidade e o público a acolheu de volta.


Hoje Mc Roseane Santos se destaca no brega funk se torna referência como Mc mulher em AL, com trabalhos que valorizam e buscam empodera outras mulheres.


A Revista Alagoana conversou com a Mc sobre sua trajetória de vida e trabalho; confira.



- Você teve as suas primeiras experiências com a música aos sete anos cantando e dançando no candomblé, certo? Conta um pouco dessa época e de que forma isso impactou a sua construção até aqui.


Roseane - As experiências que tive no Candoble foram essenciais, foi quando aprendia a dançar e cantar com naturalidade, quando percebi que toda aquela cultura fazia e faria parte da minha vida.


- Dez anos depois, você cantava na igreja Assembleia de Deus... sobre essa transição não só de estilo de música, mas também de crenças, como foi essa experiência?


Roseane - Quando essa transição aconteceu ao mesmo tempo em que a curiosidade me tomava, eu me conscientizava que a religião me foi induzida e que eu poderia conhecer outras. Esse novo mundo que eu por amor e muita entrega conheci, por mais que fosse de encontro a outras crenças, também tinha a adoração com outra instrumentação e composições que me fascinam até hoje. A dança era mais intimista e as outras notas musicais eu aprendi com muita dedicação, assim, fui mudando também a quantidade de ensaios para chegar aonde queria e precisava. É indescritível! Eu não consigo explicar.


- Qual o sentido da maternidade pra você? Que lugar ela ocupa hoje na sua vida, sendo mãe e também avó?


Roseane - O sentido da minha vida mudou totalmente sendo mãe (solo). Tenho três filhos, hoje dois são maiores de idade e um caçula que criei com muita luta até então. Me fez entender o sentido da vida, porque eles são tudo para mim.


- Quando você começou a lançar suas próprias composições e se apresentar por conta própria?


Roseane - Comecei a compor em 2018, e me apresentar cantando e dançando sempre fez parte desse conjunto.


- O brega funk é uma expressão que está ganhando cada vez mais espaço na indústria musical e nas ruas também. Como você se encontrou no brega funk?


Roseane - Me encontrei no brega funk me divertindo nessa febre com um conteúdo diferenciado para causar, reinventar, criticar, demonstrar, expressar com a cara e a coragem.




- O que você quer passar com as suas músicas e produções?


Roseane - Levantar a autoestima da mulherada, empoderando. Levar questionamentos que precisam ser feitos e expressados. Esses serão meus próximos passos. No momento tenho dois vídeo clipes excelentes em produção que eu estou muito ansiosa para lançar para todo mundo.



- Quais são os próximos passos no sentido artístico a partir de agora?


Roseane - O outro videoclipe, só pra deixar um gostinho, o nome da música: passinho da igualdade. Imagina ai... Fala da praia mais linda de Alagoas, Praia da Tabuba, esse brega funk envolve todas as idades, por isso que o nome é passinho da igualdade. A letra começa assim: “Aqui na praia da Tabuba quando toca o paredão ninguém vai ficar parado, treme logo o rabetão, eu sou Roseane Santos vim botar para gerar no passinho da igualdade quero ver você quebrar essa moda, vai pegar para todas as idades, ninguém vai ficar parado, dancem todos a vontade... passinho foi lançado no estado de Alagoas dança crianças e as novinhas e até as coroas e assim por diante...”.


Foi minha primeira música Brega funk que eu compus quando eu morava no povoado de Santa Luzia, que fica localizado entre a Praia de Tabuba e Barra de Santo Antônio. Eu morei um ano e sete meses lá, todos os dias eu ia a praia orar e foi ai que Deus abriu minha mente, me dando a primeira letra que eu compus. O videoclipe da música " Mãe das favelas" já vem a um ano se protelando e venho pensando que ele realmente tinha que ser lançado agora tanto pelo momento como pelas parcerias e experiências que essa música já vem proporcionando. Também por eu ser uma mãe da favela eu posso entender o que elas passam e a potência que elas são. Por isso que eu compus essa letras para homenagear essas mães guerreiras que eu amo tanto.


Eu quero passar positividade e reflexão nesse ritmo dançante que invadiu toda uma nação. “Amanheceu o dia e o que é que eu vou fazer? vendo minhas crias pedindo o que comer...as minhas lágrimas caem de montão, dobro o joelho e faço a minha oração... mães das favelas guerreiras são elas, respeita os sonhos que moram dentro delas” E assim por diante... Positividade com o corpo na atividade e a reflexão pra pegar a visão. (Olha! Acho que isso dá uma música...)






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