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  • Revista Alagoana

Mutirão de grafite transforma Vale do Reginaldo em tela de arte



Colaboração de Theo Sales



Ao passar pela manhã daquele sábado ensolarado de Maio pelas ruas do Vale do Reginaldo, uma casa logo chamava a atenção. Era a casa de Seu Reginaldo, morador da comunidade. Sua residência se destacava por dois motivos — ou melhor, por um motivo: um pássaro. Mas eram, na verdade, dois pássaros. Um deles, pintado no muro da casa de Reginaldo, e o outro que se ouvia cantando de dentro da residência. Com alegria no olhar e um sorriso no rosto, Seu Reginaldo contava sobre o trabalho feito pelos artistas em sua casa e em toda a comunidade. Ele estava feliz com a arte que fizeram em sua casa, assim como muitos outros moradores que os receberam de braços — e portas — abertos o movimento de artistas.


Seu Reginaldo foi apenas um dos vários moradores do Vale do Reginaldo que abriu suas portas — e seu muro — para um movimento de artistas que usaram o grafite e a pintura para colorir as casas da comunidade. O mutirão aconteceu entre os dias 22 e 23 de Maio e contou com a presença de diversos artistas alagoanos. Joe Santos, artista e organizador da ação, afirma que a ideia era democratizar a arte e levar acolhimento. A região, que é carente de políticas públicas, carecia também de arte. Dentre artistas experientes e novatos — alguns pintando pela primeira vez em paredes — todos deixaram sua marca nos muros do Vale. Alguns deixaram mais de uma marca.


Cada um com sua assinatura e estilo próprio. Assim como cada morador com sua personalidade própria que influenciou a arte feita em sua casa, como Reginaldo e seus passarinhos. Na manhã daquele sábado a marca que havia nas casas era a de “reservado mutirão”, mas ao fim do dia as marcas eram outras. Joyce Nobre, uma das participantes do mutirão, conta que essa foi a segunda vez pintando em muros e expor seu trabalho em público é uma experiência transformadora. “A arte era algo pessoal, sempre foi uma coisa íntima”, relatou a artista que pintou São Francisco de Assis. O trabalho do mutirão conquistou a atenção dos moradores — que passavam e paravam e olhavam e comentavam e elogiavam.


Seu Amaro de 74 anos foi um deles, acompanhando os artistas em ação na frente de sua casa. Ele se deteve por vários minutos observando o frenesi de cores sob o sol da manhã e confessou: “eu não entendo não, mas acho bonito. Dona Aparecida, de 73 anos e companheira de Amaro, completou sua fala: “quem sabe, sabe”. As crianças foram as que mais aproveitaram o momento, tanto olhando o processo de pintura, como ajudando. Uma delas chegou a comentar “se me derem, eu pinto também”. E de fato pintou junto aos artistas. Ver a tinta secar nunca foi tão interessante como naqueles dias. Rodrigo foi outro morador que concedeu o seu muro ao mutirão. Ele conta sua história de vida, das dificuldades que passou e fica feliz por ter seu lugar para morar e poder ceder sua parede para o movimento... Seu trabalho de artesão o fez sentir uma ligação com aqueles artistas que coloriram a sua residência. “No começo eu tava com dúvida, mas depois até pintei junto. Tem gente que fala mal, que critica, mas eu não ligo não”, relatou Rodrigo que completou: “dá uma vida à comunidade”.



Reginaldo, morador do Vale do Reginaldo, em frente ao muro pintado da sua casa. [Arte por @yarapao_ e @inxame_mcz]





Rodrigo ajudou os artistas a pintar o muro de sua casa.



Crianças observam o trabalho dos artistas.



Por Adrian Vieira (@tel_arte) e Roberta Tavares (@rt4.art)



Essa galeria traz artes de Munganga (@mun_ganga), Inxame (@inxame_mcz), Joe Santos (@santos.joe),Roberta Lanny (@robertalanny), Lucas Cordeiro (@inxame_mcz), Arte por Giulia França (@unstracos), Joyce Nobre (@nobreviverdearte), Alice Rodrigues (@ali.naesquina) e Diego Barros (@diego.i.am).

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