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  • Revista Alagoana

Segundo ano sem festas juninas: como ficam os produtores culturais?

Atualizado: 14 de jun. de 2021



Texto de Gabriely Castelo



A gente já sabia que 2021 seria mais um ano incerto para as festividades que contam com o envolvimento do público. A época mais esperada no nordeste chega mais uma vez sem fogueiras, fogos e apresentações juninas.


O São João esse ano não será o mesmo mais uma vez, sem ver ao vivo as coreografias e figurinos de arrepiar e sem o emocionante canto em uníssono. Quem considera essa a melhor festa do ano, vai ter mais um ano de espera e admiração à distância.


A cultura foi um dos setores mais afetados na pandemia da covid-19, já que a indústria cultural está ligada diretamente às plateias e aglomerações. Em Maceió, os grupos se organizam para o segundo ano sem as festas tradicionais de junho e julho.


A emoção que os artistas performáticos passam nos palcos e o retorno do espectador é de enorme importância para a continuidade da expressão popular. Artistas encontraram novos formatos de expressar-se nas plataformas online, mas apesar disso, muitas vezes a arte não alcança o público, seja por falta de acesso à internet ou pela falta de conexão e interação com a plateia, os artistas ainda se desdobram para continuar entregando seu trabalho.


“No início, assim como muita gente acreditou, pensamos que seria passageiro, e aqui estamos nós pelo segundo ano, parados. Acho que o maior desafio nesses 2 anos é manter o grupo vivo, através de WhatsApp, das nossas redes sociais com interação, e manter a chama acesa da vacina.” Explica Felipe Oliveira, um dos diretores do grupo Junina Flôr de Chita.


Do balé ao estilista, todos os componentes da quadrilha podem se dizer afetados. Segundo o diretor, já que nem todo projeto é remunerado, a maioria do grupo trabalha em outras funções. Todo o projeto é custeado pelos componentes, concursos e eventos que possam acontecer, é acertado um valor que retorna para a quadrilha para investimento de mais produção e transporte, visto que o grupo em anos “normais” chega a contar com 100 pessoas de balé a produção, e também guarda algumas economias para o ano seguinte.


“Reinventar-se foi necessário para os setores que nós contratamos nessas épocas. Por esses dias estive no ateliê de uma das estilistas e ela precisou desde o ano passado investir em máscaras por exemplo, para não ficar parada, mas que não supria a receita de casa sem o São João.” complementa Felipe.





Felipe Oliveira e Grazyelle Paes, Casal de Reis do grupo Junina Flôr de Chita



A Liga das Quadrilhas Juninas (LIQAL) também se reinventou nessa pandemia.



Assim como todos àqueles que trabalham com público e aglomeração, a liga se reinventou através de lives, levando conhecimento e informação com ciclos de palestras. Também serão realizados concursos de destaques e lives com apresentação de grupos respeitando todos os protocolos sanitários.


“Aqui em Alagoas e no Nordeste se aguarda o mês de junho chegar para celebrarmos os festejos juninos e assistirmos aos espetáculos das quadrilhas que nos encanta todos os anos. Passamos esses dois anos sem podermos levar um pouco de alegria para aqueles que enfrentavam enormes filas nas finais de concursos ou arraiais de rua para assistir esses grupos. Essas lives vão poder resgatar um pouco do nosso São João” explica Washington do Nascimento, presidente da LIQAL.


Enquanto os festejos juninos não retornam ao seu lugar original, nas ruas e palhoções, o público pode acompanhar as festividades juninas virtualmente nas redes sociais da LIQAL, da FMAC e Secult.



Grupo Luar do Sertão no primeiro ensaio de 2020.


O grupo Luar do Sertão foi contemplado pela lei Aldir Blanc e está concorrendo ao edital da FMAC para as lives juninas de 2021. A quadrilha foi a primeira a parar suas atividades no início da pandemia de covid-19, por isso não houve prejuízos financeiros.


A equipe se preparava para o São João de 2020 quando foi obrigada a pausar a produção. Segundo o ator e produtor Emmanuel Lima, o maior impacto foi sentimental. “Quem ama e vive da cultura junina sabe o que é estar vivenciando o segundo ano sem o São João, o segundo ano sem apresentar os nossos espetáculos, sem dançar, sem festejar.” afirma o produtor.



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