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  • Revista Alagoana

Um carnaval diferente; confira como foi a data para os alagoanos



Texto de Lícia Souto



Fevereiro, como de costume, é anunciado pelos rostos alegres, cintilantes de purpurina, corpos suados, casais trocando beijos e pelos blocos serpenteando avenida adentro ao som de centenas de pessoas cantando juntas. Mas fevereiro de 2021 nos mostra outra realidade. Pelas ruas de todo o Brasil, que seriam preenchidas por cores e pessoas dançando freneticamente, seguem apenas os carros e o fluxo da rotina de trabalho. Hoje, a fantasia permanecerá no armário e os instrumentos permanecerão guardados.


Para evitar aglomerações e sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde nesse momento delicado, a tradicional celebração carnavalesca que movimenta todo o país foi suspensa em virtude da pandemia da Covid-19.


O bloco Filhinhos da Mamãe, que participa há 38 anos das prévias carnavalescas de Maceió, enfrenta um ano ainda mais difícil com a perda do artista plástico Gil Lopes, que estava internado na UTI de um hospital particular e faleceu em dezembro do ano passado, em virtude de complicações do coronavírus. O artista era o estilista e decorador da boneca Mamãe e responsável pela produção das roupas dos guardiões que desfilam à frente da boneca.


“Com a partida repentina dele por conta da Covid-19 o carnaval silenciou-se, coincidentemente, no ano em que foi suspenso pelo motivo da pandemia. Então, podemos considerar que será o ano de vivermos o luto pelo Gil. A cultura alagoana perdeu um carnavalesco, artista plástico, decorador, professor e amante das artes.”, comenta Eraldo Ferraz, professor e um dos coordenadores do bloco atualmente.


Ferraz conta que ao longo de 20 anos e ele Gil foram ficando mais próximos, já que o artista era responsável também pela confecção e manutenção do estandarte do bloco Pinto da Madrugada. “A partir deste envolvimento, passamos a brincar as prévias do carnaval de Maceió e, em seguida, no de Pernambuco. Ele fazia toda a produção das minhas fantasias e do José Carlos. Além de ficar responsável pela maquiagem de todos nós. Com esta proximidade criamos um grupo dos órfãos em que todo mês nos reuníamos para um almoço para reviver os bons momentos do dia a dia.”, relembra.


Gil Lopes durante apresentação. Foto: Adriano Arantos


Sem um de seus protagonistas, o bloco segue sob a administração de um grupo de profissionais do Museu Theo Brandão. Para manter o Filhinhos da Mamãe presente neste momento e homenagear a memória de Gil, uma exposição foi organizada pelo Museu Theo Brandão sob a curadoria da museóloga Hildênia Oliveira. A exposição Gil Lopes: carnaval que nos convém, localizada no Parque Shopping, coloca à disposição do público algumas das principais criações do artista, e a mostra segue aberta para visitação até o dia 28 de fevereiro.


“A ideia de realizar a exposição surgiu a partir de um convite do Parque Shopping, foi uma forma que a equipe do Museu e admiradores do trabalho de Gil encontraram de homenageá-lo e também de trazer um pouco do calor do carnaval esse ano para perto das pessoas. Nós temos praticamente os últimos feitos do artista relacionados ao carnaval. Para muito além, Gil Lopes modificou a forma de customizar as peças, principalmente o Boi de Carnaval. A exposição trata-se disso, um fragmento da arte dele.”, explica Hildênia Oliveira, curadora da mostra.


Além dessa, uma segunda exposição, também localizada no Parque Shopping, foi aberta para visitação nesta sexta-feira (12). A exibição Blocos de Maceió traz bandeiras, estandartes e fotografias dos diversos blocos alagoanos, e as peças estarão à disposição do público até o dia 19 de fevereiro.


O tradicional Baile dos Seresteiros é uma das prévias carnavalescas mais movimentadas de Maceió, a 17ª edição aconteceu ano passado, com produção do Instituto Boibumbarte de Cultura. Esse ano o baile não acontecerá, mas o fotografo alagoano Adriano Arantos, que foi convidado para registrar a última edição do festejo, relembra um pouco do calor e da alegria do momento:“Fazer os registros que retratam histórias tão importantes da nossa cultura são sempre experiências muito ricas, cheias de aprendizado. Sou sempre muito grato ao universo e aos que me dão a oportunidade de poder juntar minha forma de fazer arte com tantas outras praticadas por profissionais que nos ensinam tanto e enriquecem o resultado final do que capturo, e também minha alma. Um viva à arte e aos Seresteiros da Pitanguinha. Que em 2022 possamos viver tudo isso presencialmente novamente.”, comenta Adriano.


fotos: Adriano Arantos


Desde o início da pandemia artistas e grupos se mobilizaram para explorar o virtual e levar música para o público através das lives no Youtube. Nesse carnaval, para manter a tradição sem aglomerar, a Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas (Secult-AL) também recorreu a esse formato. O festival online Carnavália começou no sábado (13) com apresentações de diversos grupos alagoanos e terminou nesta terça (16). Os artistas se apresentaram em palcos montados no Museu da Imagem e do Som de Alagoas, no Jaraguá, com transmissão pelo canal da Secult no Youtube.


Confira como foi o primeiro dia de apresentações:


Nossa equipe entrou em contato com alguns outros blocos carnavalescos, mas não obteve retorno até o fechamento dessa matéria.

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